quinta-feira, 15 de março de 2012

A PORTA DA FÉ - Comentário sobre o 1o parágrafo

CARTA APOSTÓLICA SOB FORMA DE MOTU PROPRIO PORTA FIDEI DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI COM A QUAL SE PROCLAMA O ANO DA FÉ

"1. A PORTA DA FÉ (cf. Act 14, 27), que introduz na vida de comunhão com Deus e permite a entrada na sua Igreja, está sempre aberta para nós. É possível cruzar este limiar, quando a Palavra de Deus é anunciada e o coração se deixa plasmar pela graça que transforma. Atravessar esta porta implica embrenhar-se num caminho que dura a vida inteira. Este caminho tem início no Baptismo (cf. Rm 6, 4), pelo qual podemos dirigir-nos a Deus com o nome de Pai, e está concluído com a passagem através da morte para a vida eterna, fruto da ressurreição do Senhor Jesus, que, com o dom do Espírito Santo, quis fazer participantes da sua própria glória quantos crêem n’Ele (cf. Jo 17, 22). Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus que é Amor (cf. 1 Jo 4, 8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos enquanto aguarda o regresso glorioso do Senhor."

A Fé é mesmo um dom de Deus para nós, e como tal, não deixa nunca de ser gratuito. No entanto, de que adianta uma porta entreaberta se não ousamos passar por ela? Assim, se não nos aproximamos dela (o dom da Fé) através do estudo acompanhado da oração sincera e da boa vontade do coração, não é possível experimentá-la, o que a torna infrutífera em nossa vida.
Portanto, aí estão os três grandes veículos que nos levam a aproximarmos desta valiosíssima porta, bem como adentrá-la e nela permanecer cada vez com mais profundidade ao longo da vida: a oração sincera, uma disposição honesta do coração e um estudo aplicado do conteúdo desta mesma Fé.
Oração sincera: "Pedi e recebereis" - diz o Senhor (Mt 7, 7). O homem, sobremodo o homem contemporãneo, tem forte tendência para achar que tudo o que faz e consegue se dá por mérito pessoal. Valoriza-se o homem "forte", o que produz, o que faz a sua própria história, o solitário herói louvado por Nietzsche no limiar do séc. XX.  No entanto o homem que Deus revela ao Homem por sua Encarnação, Vida, Paixão e Morte, é sempre o grande desvalido, o incompleto, o necessitado na verdadeira acepção do termo. Todo homem está retratado de certa forma como o expoliado da parábola do samaritano. "Ecce Homo" (Eis aí o Homem!) - disse Pilatos ao apresentar Jesus esfarrapado, sujo e em carne viva ao povo judeu no Pretório. "Eis o Homem": Eis cada um de nós ali. Que fazer então?  Reconhecer a nossa indigência e a infinita riqueza de Deus que nos quer como seus "sócios majoritários", herdeiros de toda a sua Fortuna; em uma palavra: PEDIR. Mas pedir com humildade e mãos abertas, porque não se pode receber o Dom de Deus sem quaisquer desses dois quesitos.
Disposição honesta do coração: "Se alguém me quer seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Porque o que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á."  (Mc 8, 34-35). São Josemaría em uma de suas homilias no livro Amigos de Deus conta a experiência de ter estado num campo onde há poucas horas teria havido uma batalha. Encontrava-se pelo chão objetos, mochilas, roupas, alimentos... e até recordações em forma de retratos e cartas... Tais objetos largados pelo caminho não pertenciam aos que perderem a batalha, mas ao contrário, aos que a venceram... Largaram mão de tudo o que estorva para correr com todas as forças para a meta; no caso, a linha de frente do combate...  Não deveríamos nós fomentar este mesmo espírito de desprendimento audaz em relação a tudo o que estorva a nossa vida de Fé? E porque não deixar a própria pele, se o Próprio Jesus a sua deixou por nós??  Disposição honesta: mudar de vida; deixar de lado os caprichos e interesses pessoais e mesquinhos que nos afastam do próximo e do Próprio Deus; tirar o que sobra; mortificar os maus hábitos e tendências.
Estudo aplicado: Eu gostaria apenas de citar aqui algumas palavras da Constituição Apostólica "Fidei Depositum" (Depósito da Fé) promulgada pelo Beato João Paulo II em 11 de outubro de 1992, trigésimo aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II, as quais nos devem servir de incentivo para que queiramos mais e mais nos aplicar a este estudo, mais importante nos nossos dias do que quaisquer outros a que possamos nos dedicar.
"Introdução
Guardar o depósito da Fé - tal é a missão que o Seunhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos. O Concílio Ecumênico Vaticano II, inaugurado há trinta anos pelo meu predecessor João XXIII, de feliz memória, tinha como intenção e finalidade pôr em evidência a missão apostólica e pastoral da Igreja, e fazendo resplandecer a verdade do Evangelho, levar todos os homens a procurar e acolher o amor de Cristo que excede toda a ciência (cf. Ef.3, 19).
Ao Concílio, o Papa João XXIII tinha confiado, como tarefa principal, guardar e apresentar melhor o depósito precioso da doutrina cristã, para o tornar mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os homens de boa vontade. portanto, o Concílio não era, em primeiro lugar, para condenar os erros da época, mas devia sobretudo empenhar-se em mostrar serenamente a força e a beleza da doutrina da fé." (...)
"Conclusão
No final deste documento, que apresenta o "Catecismo da Igreja Católica", peço à santíssima Virgem Mria, Mãe do Verbo Encarnado e Mãe da Igreja, que ampare com a sua poderosa intercessão o empenho catequético da Igreja inteira a todos os níveis, nestes tempos em que é chamada a um novo esforço de evangelização. Possa a luz da verdadeira Fé libertar a humanidade da ignorância e da escravidão do pecado, para a conduzir à única liberdade digna deste nome (cf. Jo. 8, 32): a da vida em Jesus Cristo, sob a condução do Espírito Santo, na Terra e no Reino dos Céus, na plenitude da bem-aventurança da visão de Deus face a face (cf. 1 Cor. 13, 12;  2 Cor. 5, 6-8)!" (João Paulo II)

Espero ajudá-los e ajudar-me a mim mesma a querer mais e melhor percorrer este caminho especialmente nestes meses que nos separam da abertura do Ano da Fé anunciado por Bento XVI. VAMOS LÁ.


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